Tarifaço americano desmonta relações econômicas construídas nos últimos 80 anos e obriga planeta a buscar soluções
O tarifaço de Trump levanta dúvidas sobre o futuro da ordem econômica mundial. A postura protecionista dos Estados Unidos vai na contramão da liderança exe...

O tarifaço de Trump levanta dúvidas sobre o futuro da ordem econômica mundial. A postura protecionista dos Estados Unidos vai na contramão da liderança exercida pelo próprio país ao longo de décadas. Governo Trump demonsta a estrutura do comércio internacional que os Estados Unidos ajudaram a montar nas últimas décadas Desde que voltou à Casa Branca, os anúncios do presidente Trump têm causado perplexidade mundial, porque a economia depende de confiança. Só que esse tarifaço americano desmonta relações econômicas construídas nos últimos 80 anos e obriga o planeta a buscar soluções. Um porta-voz do bloco que reúne 27 países do velho continente disse que, diante das incertezas desencadeadas pelos Estados Unidos, o acordo Mercosul - União Europeia surge como uma enorme oportunidade. Segundo ele, os países-membros vão investir tempo e energia para finalizá-lo. A França, que bloqueia o avanço, parece disposta a rever a posição. Depois de uma reunião com outros dez países que também têm ressalvas, o governo francês reafirmou a necessidade de novas condições. Mas destacou: "No contexto geopolítico atual, todos os participantes concordam sobre a importância de diversificar as parcerias”. Empresas brasileiras e economistas veem novas oportunidades para a produção nacional diante das tarifas de Trump O tarifaço de Trump levanta dúvidas sobre o futuro da ordem econômica mundial. A postura protecionista dos Estados Unidos vai na contramão da liderança exercida pelo próprio país ao longo de décadas. Depois das barreiras comerciais que desembocaram na Segunda Guerra Mundial, o Ocidente - sob o comando hegemônico americano - apostou na criação de organismos multilaterais para resolver suas disputas - como a ONU - e para dar impulso ao liberalismo econômico - como o Banco Mundial e o FMI. A abertura dos mercados e a desregulamentação do sistema financeiro foram aprofundadas na década de 1980, sob a liderança da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e do presidente americano Ronald Reagan. Era o início do processo de globalização que expandiu mercados e reorganizou as cadeias de produção. Tarifaço americano desmonta relações econômicas construídas nos últimos 80 anos e obriga planeta a buscar soluções Jornal Nacional/ Reprodução Com a queda da então União Soviética, os países comunistas acabaram se abrindo à economia de mercado. O resultado foi um crescimento vertiginoso nas trocas internacionais de bens e serviços. O comércio global que, em 1980, girava na casa dos US$ 2 trilhões, fechou 2024 com um recorde de US$ 33 trilhões. Agora, o tarifaço representa um cavalo de pau no sistema que os Estados Unidos ajudaram a montar. "Creio que estamos diante de um risco muito grande, que é o desmantelamento do sistema do comércio internacional como conhecemos, baseado no livre-mercado. O que há é uma arquitetura do comércio global que está se desmanchando. O que o Trump está propondo, na verdade, é uma nova geografia de comércio internacional baseada no protecionismo. Portanto, o protecionismo já é uma realidade internacional e creio que o cenário é um cenário muito delicado, que levará a uma fragmentação internacional de elevado risco”, diz Huissein Kalut, cientista político e pesquisador de Harvard. Analistas se perguntam qual será o papel de outras potências nesse novo mundo que se desenha. "No próprio discurso do Trump, ele elencou a China e a União Europeia como mercados adversários ao mercado norte-americano. E a resposta chinesa e a resposta da União Europeia foi no sentido de responder de forma dura ao governo Trump. Tanto a China quanto a União Europeia vão resistir a esse processo de desglobalização proposto como modelo de comércio internacional por parte do governo Trump", afirma Huissein Kalut. LEIA TAMBÉM OMC prevê que tarifas americanas vão reduzir negócios globais em 1% em 2025 Guerra comercial: especialistas dizem que americanos vão sentir com mais força as altas de preços Tarifaço de Trump: governo brasileiro defende diálogo e negociação, e avalia que país tem instrumentos para reagir